Cultura Empresarial

"PLANO REAL" do EMPREGO por Juliano César.
08 de outubro de 2019

Minha geração de empresários teve oportunidade de conviver com 02 "brasis", com inflação e com controle desta. Assim, sabemos o quanto foi importante as diversas tentativas para termos um país com inflação controlada, culminando com o Plano Real em 1994 e após o regime de metas inflação pelo Banco Central em 1999.

Um dito popular afirma: a diferença entre o remédio e o veneno é simplesmente a DOSE.

Partindo dessa premissa, vimos que nos últimos anos, especialmente apartir 2016, medidas econômicas vem sendo corretamente tomadas com elevação e agora redução de taxas de juros, a níveis baixíssimos e historicamente nunca vistos, o que decerto comprova, numa primeira visão, sua eficácia no controle da inflação.

Porém, a boa medicina e a boa economia nos ensinam que devemos combater as causas e não somente os sintomas dos males (inflação).

É, então, ao meu ver chegado um momento após 25 anos de eficaz combate a inflação e estabilização macro econômica, pois entre ciclos de crescimento e recessão, neste um quarto de século, o resultado foi positivo como podemos ver:

  • PIB positivo na maioria dos anos
  • política de aumento real do salário mínimo (aumentou 165%).

que teve início com a estabilização, em 1994, foi aprofundada a partir de 2008 e transformada em lei em 2011. Entre 1994 e 2018 o salário mínimo real quase triplicou

Porem,

  • Elevado nível de desemprego na maioria dos anos, atualmente na faixa de 11,8% da força de trabalho, com tímida redução no curto prazo(Imagem2)
 
   
  • Atualmente, quase 50% dos trabalhadores ocupados têm remuneração menor que o mínimo. Com o aumento do salário mínimo real e a queda dos preços das exportações, o valor do produto gerado pelos trabalhadores menos qualificados e pelos mais jovens e inexperientes caiu abaixo do salário mínimo, forçando as empresas a reduzir as remunerações desses trabalhadores ou demiti-los. Dos quase 104 milhões de pessoas em condições de trabalhar, em torno de 13 milhões são funcionários do setor estatal e pouco mais de 36 milhões do setor privado têm carteira assinada, com as garantias da legislação trabalhista.
  • A disrupção tecnológica e a inteligência artificial estão criando um mundo novo em matéria de produção, no qual os robôs cognitivos substituem o ser humano não só em habilidades físicas, mas também em habilidades cognitivas e intelectuais, e tem-se aí um quadro em que a recuperação dos empregos perdidos na recessão poderá ser lenta.

Neste breve comparativo entre os frutos positivos e negativos da política econômica nestes últimos 25 anos leva-nos a clamar por um "PLANO REAL" do EMPREGO e do DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO que possa dar esperança aos jovens deste país, que incentive e promova o empreendedorismo, que valorize o trabalho e esforço individual, resgate a esperança e como consequência final promova uma sociedade menos desigual, mais justa e até com menor violência, o que por certo exigirá vontade, dedicação e ação eficaz dos governantes e da sociedade civil em geral.

O resumo acima corresponde a minha livre interpretação dos textos abaixo, podendo ser refletir exatamente as ideias dos autores.

 

JULIANO CESAR FARIA SOUTO

Estanciano, 55 anos, Administrador de empresas graduado de Faculdade de Administração de Brasília com MBA em gestão empresarial pela FGV. Atua como sócio Administrador da empresa FASOUTO no setor atacadista distribuidor e auto serviço. Líder empresarial exercendo, atualmente, o cargo de vice - presidente da ABAD - Associação Brasileira de Atacado e distribuidores e Diretor da FECOMERCIO/SE.

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